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AS LUAS DO SISTEMA SOLAR

As luas de Netuno
da Nasa - Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Não sabemos com que bebida William Lassell comemorou a descoberta da lua de Netuno, Tritão, mas foi a cerveja que a tornou possível.

Lassell foi um dos grandes astrônomos amadores ingleses do século 19, usando a fortuna que ganhou no ramo da cervejaria para financiar seus telescópios. Ele localizou Tritão em 10 de outubro de 1846 -apenas 17 dias depois de um observatório de Berlim ter descoberto Netuno.

Curiosamente, uma semana antes de descobrir o satélite, Lassell pensou ter visto um anel ao redor do planeta. Era uma distorção causada pelo telescópio. Mas quando a Voyager 2 da Nasa visitou Netuno, em 1989, revelou que o gigante gasoso realmente tem anéis, embora sejam muito difusos para que Lassell os tivesse visto.

Como Netuno foi batizado com o nome do deus do mar romano, suas luas receberam os nomes de divindades marítimas menores e ninfas da mitologia grega.

Tritão (não confundir com a lua de Saturno, Titã) é de longe o maior dos satélites de Netuno. O astrônomo americano Gerard Kuiper (que deu o nome ao Cinturão Kuiper) descobriu a terceira maior lua de Netuno, Nereida, em 1949. Ele não viu Proteus, a segunda maior, porque ela é escura demais e próxima demais do planeta para que os telescópios da época a localizassem. Essa lua ligeiramente não-esférica é considerada no limite da massa possível de um objeto antes que sua gravidade o transforme em esfera.

Proteus e cinco outras luas tiveram de esperar a Voyager 2 para ser conhecidas. Todas as seis estão entre os objetos mais escuros encontrados no sistema solar. Astrônomos usando telescópios aperfeiçoados no solo descobriram cinco outros satélites em 2002 e 2003, elevando o total para 13.

A Voyager 2 revelou detalhes fascinantes sobre Tritão. Parte de sua superfície se assemelha à casca de um melão. Vulcões gelados cospem o que é provavelmente uma mistura de nitrogênio líquido, metano e poeira, que se congela instantaneamente e depois cai em forma de neve sobre a superfície. Uma imagem da Voyager 2 mostra uma pluma de gelo com 8 quilômetros de altura estendendo-se por 140 quilômetros na direção do vento. A superfície gelada de Tritão reflete a maior parte da luz do Sol que o atinge, por isso a lua é um dos objetos mais frios do sistema solar, com cerca de -240° C.

É a única grande lua do sistema solar que circunda seu planeta em direção contrária à rotação do mesmo (uma órbita retrógrada), o que sugere que um dia pode ter sido um objeto independente que Netuno capturou. O efeito perturbador que isso teria sobre outros satélites talvez explique por que Nereida tem a órbita mais excêntrica de qualquer lua conhecida -numa extremidade da órbita ela fica quase sete vezes mais afastada de Netuno que na outra.

A gravidade de Netuno age como um aspirador sobre Tritão, em contra-órbita, reduzindo sua velocidade e fazendo-o aproximar-se cada vez mais do planeta. Daqui a milhões de anos, Tritão chegará perto o suficiente para que forças gravitacionais o destruam, possivelmente formando um anel ao redor de Netuno suficientemente brilhante para que Lassell pudesse enxergá-lo.


Algumas características das principais luas de Netuno

Tritão:

Tipo: regular
Raio:
1353,4 km
Característica principal: superfície de cores variadas; movimento de translação retrógrado.

Proteus:

Tipo: irregular
Raio: 219 km
Característica principal: amorfo, como a maioria dos asteróides.

Nereida:

Tipo: irregular
Raio:
170 km
Característica principal: amorfo, como a maioria dos asteróides.


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